Saúde - Imperatriz: Leque de atendimento da Saúde é ampliado com o Consultório de Rua
São alguns meses de caminhada no atendimento
efetivo a moradores de rua e a pessoas que, embora não sejam moradores, ficam
por um tempo maior na rua. O programa Consultório de Rua surgiu também porque
as pessoas ficam sujeitas à violência, condições sociais precárias, condições
de saúde precárias e alto índice de uso de drogas.
Segundo a coordenadora do Consultório de Rua
de Imperatriz, Nara Siqueira de Baptista, existe ainda uma agravante em todo o
sistema: Além de toda essa fragilidade social e de saúde, os moradores de rua
ainda têm uma grande dificuldade de acesso ao serviço. São pessoas que circulam
na cidade, mas não entram nos espaços, ficam socialmente
marginalizadas.
O programa surgiu para que as pessoas
necessitadas fossem atendidas nos locais onde elas permanecem. Uma Van circula
pela cidade para fazer a abordagem, que é o primeiro passo. A estratégia de abordagem é inspirada na ONG francesa
Médicos do Mundo, que atende moradores
de ruas
e prostitutas em um ônibus equipado como se fosse uma clínica. Após um
mapeamento para descobrir onde estão concentrados os usuários de drogas, os profissionais fazem a chamada
aproximação, intervenção com a população local que pode levar de
semanas a meses. “É preciso dar um tempo para as pessoas se sentirem seguras,
entenderem que essa equipe de rua
está lá para ouvi-las, orientá-las e cuidar delas”,
revela Nara Baptista.
Após ganhar a confiança dos freqüentadores do
local, a equipe do Consultório de Rua
faz um intenso trabalho educativo e psicossocial com os freqüentadores da
região. “Quem conduz essa intervenção é o próprio usuário. As negociações levam
em consideração se a pessoa quer ou
não receber informações e orientações dos profissionais. Se houver confiança e
vontade, surgem dúvidas, assuntos
sobre família e drogas, sempre com respeito às escolhas do usuário”, disse a
coordenadora.
Abordagem e tratamento
“O nosso principal instrumento de trabalho é
o vínculo e o desenvolvimento da confiança”, revela Nara Baptista. Pelo fato de
serem pessoas que estão em atividades marginais como o uso de drogas ilícitas,
é preciso ganhar a confiança delas. “O contato deve ser cuidadoso para colher a
história da pessoa e identificar a real necessidade da pessoa”, afirma a
coordenadora. Segundo ela, o Consultório de Rua não tira a pessoa da rua, não recolhe,
mesmo porque Imperatriz ainda não conta com uma Casa de Passagem ou mesmo de
uma Casa-Abrigo.
Segundo Nara Baptista, o projeto prevê o
aprofundamento da questão, cobrando das autoridades um local de referência para
os moradores de rua: “Nós mostramos para as autoridades locais a
importância de que exista um abrigo na cidade para essas pessoas”, afirma Nara
Baptista. A equipe do consultório
de rua tenta inserir as pessoas em serviços assistenciais, fazendo uma ponte
entre elas. Já foram encaminhadas pessoas para tratamento de HIV, de
tuberculose e serviços da Sedes-Secretaria de Desenvolvimento Social. Além do
encaminhamento, o projeto prevê também o acompanhamento.
O trabalho do Consultório de Rua de
Imperatriz, em suma, se constitui em realizar atendimentos primários de saúde
tais como curativos, aferimento de pressão arterial, exames de glicemia, etc.
Estrutura social do paciente
As pessoas que estão em situação de rua são
encontradas em um leque bem variado de situações. Segundo Nara Baptista, é
muito comum perceber nas abordagens, transtornos psiquiátricos instalados e aí,
os encaminhamentos são feitos para o Caps 2 para a assistência psiquiátrica. São pessoas que invariavelmente apresentam doenças como esquizofrenia e outros
transtornos psiquiátricos, além de dependência química. Algumas pessoas, embora
não apresentem esse transtorno psiquiátrico, estão afundadas em situação de
violência, que não é apenas física, mas engloba aí um ambiente familiar muito
ruim – há pessoas que preferem viver nas ruas a enfrentar uma convivência
familiar conturbada. Curiosamente, existem pessoas que gostam de viver nas
ruas. Elas afirmam que ali é sua casa, que elas têm companheiros, filhos, mas
por incrível que pareça, é nas ruas que elas encontram um espaço de
acolhimento. Isso é curioso, é polêmico, mas retrata uma situação ilógica.
“Na rua nós encontramos um pouco de tudo”
relata Nara Baptista. Para ela, o que fica muito marcante nas estórias que são
ouvidas é a vulnerabilidade social, financeira, de desemprego, de um ambiente
familiar muito tumultuado, de uso de drogas e transtornos psiquiátricos. Enfim,
há uma série de fatores que vão se entrelaçando até chegar às ruas e aí a
assistência também requer uma gama de complexidade da rede de atenção social.
Poder público trabalha com a construção de relações
A
maioria dos moradores de rua que estão em Imperatriz são de outros municípios.
A percepção da equipe no trabalho de rua confirma essa afirmativa em abordagens
feitas três vezes por semana na cidade.
A equipe do Consultório de Rua de Imperatriz
é formada por dez pessoas, distribuídas pela coordenação, uma enfermeira, uma
psicóloga, uma assistente social, dois redutores de danos, uma agente de saúde,
uma técnica de enfermagem, um motorista e uma psicóloga supervisora.
Além das abordagens no campo, semanalmente a equipe se reúne para discutir o trabalho e desenvolver o planejamento de ações e supervisionar o suporte clínico do trabalho realizado. Além disso são feitas reuniões com representantes de outros setores públicos para discutir casos específicos, como a identificação de casos de tuberculose em moradores de rua, e parcerias com programas da SEDES para melhoria na qualidade dos atendimentos prestados".
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